CineEco leva a Seia 87 filmes de 34 países entre 9 e 17 de outubro
O CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela regressa a Seia de 9 a 17 de outubro para a sua 32ª edição, com 87 filmes de 34 países em competição. A seleção foi feita a partir de 410 obras submetidas e inclui dez filmes em estreia nacional absoluta, além de várias produções dedicadas à Serra da Estrela e às grandes questões ambientais da atualidade.
Seia volta a ser, em outubro, o centro do cinema ambiental internacional. A 32ª edição do CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela realiza-se entre os dias 9 e 17 de outubro, com uma programação que reúne filmes de 34 países e aborda algumas das principais questões ambientais e sociais do mundo contemporâneo.
A organização recebeu este ano 410 obras candidatas à Seleção Oficial, entre filmes de ficção, documentários para cinema e televisão e obras de artes visuais com temática ambiental.
Da seleção resultam 106 filmes para a programação da edição de 2026, dos quais 87 integram as seis principais competições do festival. Ao todo, estão envolvidos nesta edição 144 realizadores.
Um dos destaques vai para a Seleção Internacional de Longas-Metragens, que inclui dez documentários em estreia absoluta em Portugal, com obras que passaram ou foram distinguidas em alguns dos principais festivais internacionais, como Cannes, Roterdão, Visions du Réel, Sundance, CPH:DOX e Thessaloniki Film Festival.
As propostas cinematográficas abordam temas como as alterações climáticas, exploração de recursos naturais, modelos económicos, migrações ambientais, biodiversidade, ativismo, conflitos em torno da gestão do território e os impactos da ação humana sobre comunidades e ecossistemas.
Entre os filmes selecionados encontram-se duas ficções que exploram diferentes conflitos entre comunidades e natureza. “On the Sea”, de Helen Walsh, aborda a tensão entre tradição e natureza numa comunidade piscatória do País de Gales, enquanto “L’Espèce Explosive”, de Sarah Arnold, acompanha, em tom de comédia, o conflito entre agricultores, caçadores e javalis.
A relação entre alterações climáticas e comunidades tradicionais está também presente em “Let Our Mountains Live”, de Håvard Bustnes, sobre pastores de renas sami que lutam contra a construção do maior parque eólico da Europa, e em “Iron Winter”, de Kasimir Burgess, que acompanha dois amigos empenhados em proteger cerca de dois mil cavalos durante o rigoroso inverno do deserto da Mongólia.
A seleção aborda igualmente os vestígios do poder colonial, nomeadamente através de “Kikuyu Land”, filmado nas plantações de chá das terras altas do Quénia, e “Materia Prima”, sobre a exploração dos grandes depósitos de lítio da Bolívia.
Outro dos temas em destaque é o chamado apartheid climático, retratado em “Black Water”, de Natxo Leuza, que acompanha a crise dos refugiados no Bangladesh provocada pela subida do nível das águas do mar.
Cinema de língua portuguesa e Serra da Estrela em destaque
Na Seleção Oficial de Longas-Metragens em Língua Portuguesa, o destaque vai para a estreia nacional de “Yellow Cake”, do brasileiro Tiago Melo, filme que conta com a produção de Kléber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, indicados ao Óscar com O Agente Secreto.
A programação inclui ainda filmes brasileiros, portugueses e uma coprodução entre Angola e Portugal, abordando questões relacionadas com o ambiente, os territórios e as comunidades.
O território da Serra da Estrela continua também a ter um espaço próprio no CineEco, através da Competição Panorama Regional, dedicada a filmes com narrativas centradas na região.
Nesta competição estão, entre outros, “Maços e Martelos”, de Tiago Cerveira, “O Avesso do Mundo”, de Rita Palma, “O Próximo Princípio”, de Pedro Nogueira, e “O Anjo da Guarda”, de Eduardo Pires.
Fora de competição será ainda exibido “Lições de Fogo”, de John Webster, um documentário sobre os incêndios em Portugal que foi filmado em Castelo Branco e também na aldeia do Sabugueiro, no concelho de Seia.
A programação inclui ainda uma competição dedicada a curtas e médias-metragens, com 31 filmes, bem como a categoria de Curtas-Metragens de Ficção, Não Ficção e Animação, que reúne 25 filmes de 15 países.
Além das sessões competitivas, o CineEco mantém a sua vertente educativa e uma programação paralela que inclui conferências, concertos, workshops, exposições e mercado de filmes.
Com entrada gratuita, o festival pretende, segundo a organização, contribuir para uma cidadania mais ativa nas áreas do desenvolvimento sustentável, valorização do território e educação ambiental e cinematográfica.
O CineEco realiza-se em Seia de forma ininterrupta desde 1995, por iniciativa do Município de Seia, sendo considerado um dos festivais de cinema ambiental mais antigos do mundo.
