Turismo interno, autenticidade e pessoas no centro do debate nacional em Viseu
A cidade de Viseu recebeu, entre 1 e 3 de junho, a 12ª edição do Fórum de Turismo Interno Vê Portugal, iniciativa promovida pela Turismo Centro de Portugal em parceria com o Município de Viseu, que reuniu mais de 500 participantes e alguns dos principais responsáveis e especialistas do setor turístico nacional.
Sob o tema “Portugal Inspira. O Turismo Transforma”, o encontro debateu os desafios e oportunidades do turismo nacional, com destaque para a valorização dos territórios do interior, a autenticidade dos destinos, a inovação tecnológica e o papel das comunidades locais no desenvolvimento turístico.
Na sessão de abertura, o presidente da Turismo Centro de Portugal, Rui Ventura, defendeu que o turismo interno deve deixar de ser encarado como um complemento da atividade turística nacional, assumindo-se como um instrumento fundamental de coesão territorial, combate à sazonalidade e criação de riqueza em territórios de baixa densidade.
“O Centro de Portugal não é um território de calamidades, é um território de oportunidades”, afirmou o responsável, sublinhando que a região reúne atributos cada vez mais procurados pelos visitantes, como autenticidade, património, natureza, tranquilidade e qualidade de vida.
Também José Ribau Esteves, presidente da CCDR Centro, apelou à valorização dos recursos regionais e ao reforço da promoção do território, defendendo que o turismo é um dos setores com maior capacidade para gerar autoestima nas comunidades e dinamizar a economia local.
Destinos autênticos e experiências genuínas
Um dos temas mais debatidos ao longo do fórum foi a importância da identidade e autenticidade dos territórios na construção de destinos turísticos diferenciadores.
José Filipe Torres, especialista em Place Branding, defendeu que a construção de uma marca territorial deve começar pela compreensão da sua identidade profunda, enquanto vários intervenientes destacaram o valor crescente das experiências ligadas às tradições, às comunidades locais e às vivências genuínas.
Exemplos apresentados durante o encontro demonstraram que os visitantes procuram cada vez mais experiências autênticas, ligadas ao património cultural, às atividades rurais e às histórias dos territórios.
Inteligência artificial e turismo inteligente
A inovação também esteve em destaque, nomeadamente através da estreia do Vê Portugal Lab, um novo espaço de reflexão colaborativa dedicado ao futuro do setor.
A inteligência artificial foi um dos temas centrais, com especialistas a defenderem que a tecnologia deverá funcionar como complemento da dimensão humana e não como sua substituição.
“O futuro será híbrido entre a humanidade das pessoas e a eficiência proporcionada pela inteligência artificial”, resumiu Roberto Oliveira, da LTPlabs.
Projeto vai mostrar os 100 municípios do Centro
Durante o jantar oficial do evento foi apresentado, em antestreia, o projeto audiovisual “100 Destino no Centro de Portugal”, uma série que irá percorrer os 100 municípios da região ao longo dos próximos dois anos.
Conduzida por Mariana Moreno e Miguel Mendes Pedro, a série pretende apresentar o território através de um olhar jovem, próximo e emocional, que valoriza as experiências autênticas, o património, a cultura, a gastronomia, a natureza e as histórias locais. O projeto será complementado por conteúdos digitais e por uma aplicação interativa que permitirá aos utilizadores acompanhar a viagem, descobrir os territórios visitados e participar ativamente nesta experiência.
Turismo vive das pessoas
No encerramento do fórum, Rui Ventura destacou a humanidade como a principal conclusão dos três dias de trabalho.
“Levo deste Vê Portugal acima de tudo humanidade. Discutimos muitos temas diferentes ao longo destes dias, mas tudo acabava por ir bater ao território, ao seu potencial e, sobretudo, às pessoas. Não há turismo sem pessoas, não há território sem pessoas, não há tradições sem pessoas, não há aldeias sem pessoas e não se contam histórias sem pessoas. O turismo vive das pessoas e para as pessoas”, afirmou.
O responsável considerou que o turismo continua a afirmar-se como uma ferramenta de desenvolvimento económico, valorização dos territórios e reforço da identidade das comunidades, deixando ainda um apelo à participação das novas gerações na construção do futuro do setor.
“O sentimento com que saímos daqui é de missão cumprida, mas também de que há ainda muito trabalho para fazer. Temos de continuar a refletir sobre a forma como os nossos territórios podem crescer mais e melhor”, sublinhou.
A próxima edição do Fórum Vê Portugal realiza-se em 2027.
