Interior do país “abandonado e esquecido”, alerta António José Seguro na tomada de posse
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O novo Presidente da República, António José Seguro, alertou hoje para os desequilíbrios territoriais em Portugal, referindo que o país continua a apresentar “assimetrias regionais significativas, em prejuízo de um Interior abandonado e esquecido”. A mensagem foi deixada no primeiro discurso após a tomada de posse, realizada na Assembleia da República.

Na intervenção, o chefe de Estado destacou o papel do poder local e das autonomias regionais, que este ano assinalam 50 anos. Segundo afirmou, a criação das autarquias e das autonomias insulares constituiu “um passo decisivo na aproximação das decisões políticas às populações, na valorização dos territórios e na promoção de um desenvolvimento mais participado”.

Apesar desse contributo, o Presidente sublinhou que persistem desigualdades territoriais relevantes. “Os resultados alcançados revelam que Portugal continua a apresentar desequilíbrios regionais significativos, em prejuízo de um Interior abandonado e esquecido”, afirmou.

Perante este cenário, António José Seguro defendeu que “o caminho da descentralização e da valorização dos territórios merece reflexão e decisões futuras”.

Durante a sessão solene, o novo Presidente prestou juramento sobre a Constituição perante o parlamento, com a mão direita sobre um exemplar da lei fundamental segurado pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.

“Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa”, declarou.

No discurso, que durou cerca de 25 minutos, o chefe de Estado agradeceu a confiança dos portugueses e prometeu ser “Presidente de Portugal inteiro e Presidente de todos os portugueses, vivam em Portugal ou no estrangeiro”.

Eleito na segunda volta das eleições presidenciais com 66,84% dos votos, superando André Ventura, o antigo secretário-geral do PS comprometeu-se a promover entendimentos políticos e a privilegiar “o diálogo em vez de trincheiras”.

“Serei um Presidente próximo das pessoas, que escuta e compreende as suas preocupações. Estarei atento às desigualdades e comprometido com a justiça social e a dignidade humana”, afirmou.

Programa inclui passagem por Arganil

O programa da tomada de posse prolonga-se até amanhã. Está prevista uma deslocação a Arganil, com visita, pelas 11:00h, à aldeia de Mourísia, na União das Freguesias de Cerdeira e Moura da Serra.

A agenda do novo Presidente inclui ainda passagens por Guimarães e Porto, onde termina o primeiro dia de iniciativas oficiais após a tomada de posse.

📸 ©Miguel Figueiredo Lopes / Presidência da República

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