Gouveia assinala 30 anos da morte de Vergílio Ferreira
A Casa Vergílio Ferreira – Para Sempre vai assinalar, no próximo dia 1 de março, os 30 anos da morte de Vergílio Ferreira, através de um conjunto de atividades culturais que pretendem “celebrar a sua obra e aproximar as novas gerações da literatura portuguesa”.
A iniciativa é promovida pela Câmara Municipal de Gouveia, que, em comunicado enviado ao Seia Digital, sublinha que o objetivo passa por “não apenas homenagear o escritor, mas também estimular o interesse pela leitura e pela criação literária junto das novas gerações, garantindo que o pensamento e a obra de Vergílio Ferreira continuam presentes no panorama cultural contemporâneo”.
Sob o mote “Evocação e Memória”, o programa decorre em Melo, terra natal do romancista, onde também está sepultado, e foi pensado para diferentes públicos, combinando momentos pedagógicos e de contacto direto com o seu legado literário.
A programação tem início às 11:00h, com uma oficina de escrita criativa destinada a jovens entre os 10 e os 15 anos, incentivando a expressão literária e o desenvolvimento da criatividade através da palavra escrita. Todos os participantes inscritos receberão um marcador alusivo à iniciativa.
Durante a tarde, às 15:00h, realiza-se uma visita guiada à Casa Vergílio Ferreira – Para Sempre, situada na praça central de Melo, espaço dedicado à preservação da memória do escritor e à divulgação da sua obra. No final, será sorteado entre os participantes um exemplar do primeiro volume de Conta Corrente, uma das obras mais emblemáticas do autor.
Um dos maiores romancistas do século XX
Considerado um dos maiores romancistas portugueses do século XX, Vergílio Ferreira destacou-se com obras como Estrela Polar, Manhã Submersa, Aparição, Para Sempre e o registo diarístico Conta Corrente, entre muitas outras.
Iniciou o seu percurso literário no neorrealismo, com títulos como Vagão J e Mudança, publicados na década de 1940. Posteriormente, com Manhã Submersa e, sobretudo, Aparição, a sua escrita evoluiu para preocupações de natureza metafísica e existencialista, afirmando-se como uma das vozes mais inovadoras da ficção portuguesa do século passado. O ensaio constitui também uma vertente relevante da sua obra, influenciando a sua criação romanesca.
A Casa Vergílio Ferreira – Para Sempre, inaugurada em outubro de 2024, resultou da reabilitação da Villa Josephine, onde o escritor viveu a infância, num investimento municipal na ordem dos 900 mil euros. O espaço funciona como museu, centro de memória e residência artística, acolhendo escritores, artistas e criadores, com o propósito de divulgar e perpetuar o legado literário, estético e filosófico do autor.
