Cheia na ribeira de Alvoco reflete impacto prolongado dos incêndios na Estrela
Uma cheia significativa ocorreu na noite passada na ribeira de Alvoco, afluente do rio Alva, na sequência da chuva intensa e do degelo provocado pela subida das temperaturas após os nevões registados nos últimos dias na Serra da Estrela.
O caudal aumentou rapidamente, com a ribeira a apresentar água muito turva e forte corrente, ultrapassando em vários pontos o leito habitual. Embora este tipo de situação seja comum em ribeiras de montanha durante episódios meteorológicos intensos, o fenómeno foi agravado pelas condições deixadas pelos grandes incêndios do verão passado, que devastaram extensas áreas das encostas da Serra da Estrela, nomeadamente no concelho de Seia.
A coloração castanha da água resulta da grande quantidade de sedimentos arrastados, consequência direta da perda de cobertura vegetal e da degradação do solo após os incêndios. Com o terreno mais impermeável e instável, a água da chuva e do degelo escorre rapidamente à superfície, transportando cinzas, terra e matéria orgânica para as linhas de água.
Estes sedimentos acabam por seguir para o rio Alva e, mais a jusante, para o rio Mondego, contribuindo para fenómenos de assoreamento e potenciando o impacto das cheias em todo o sistema fluvial.
Especialistas alertam que este tipo de comportamento hidrológico pode manter-se durante vários anos após grandes incêndios, até que a vegetação recupere de forma consistente. As autoridades recomendam cautela junto às ribeiras, sobretudo em zonas de passagens, pontes baixas e terrenos agrícolas, uma vez que as cheias podem surgir de forma súbita.
O episódio registado na ribeira de Alvoco é mais um exemplo de como os efeitos dos incêndios florestais se prolongam no tempo, condicionando o território muito para além da época estival.
Precipitação forte mantém-se nos próximos dias
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o estado do tempo em Portugal continental vai continuar a ser marcado por precipitação forte e persistente na terça e na quarta-feira, devido à influência de uma massa de ar com características tropicais.
Na terça-feira, os distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Porto, Aveiro e Viseu estarão sob aviso laranja de precipitação, o segundo mais grave. Os distritos de Bragança, Guarda, Castelo Branco, Coimbra e Leiria encontram-se sob aviso amarelo.
Segundo o IPMA, os episódios de precipitação mais intensa, em particular na quarta-feira, poderão ainda ser acompanhados por vento, sobretudo nas terras altas, apesar de não serem esperados valores extremos.
📸 ©Teresa Belarmino
