Livro propõe reflexão sobre a Serra da Estrela e as suas comunidades após os incêndios de 2025
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O livro Comunidade : floresta — Vozes comunicantes para o futuro de um território é um convite à reflexão e à escuta atenta da Serra da Estrela e das suas comunidades, no rescaldo dos incêndios de 2025, que voltaram a marcar profundamente o território. A publicação resulta de uma edição conjunta do coletivo à escuta e do Museu da Paisagem.

A mais recente obra do coletivo à escuta reúne testemunhos, reflexões e contributos de colaboradores de diversas áreas do conhecimento, propondo uma abordagem plural e interdisciplinar sobre o futuro do Parque Natural da Serra da Estrela, as suas comunidades e os desafios ambientais, sociais e culturais que enfrenta, refere o grupo m nota de imprensa.

Partindo de uma escuta continuada do território e das populações locais, o livro tem como base três projetos artísticos interdisciplinares desenvolvidos ao longo dos últimos anos em diferentes pontos da Serra da Estrela. Entre eles está o Catálogo Poético (2020-2021), concebido com a aldeia de Frádigas, no concelho de Seia; o projeto CasaFloresta (2022), realizado nas localidades da União de Freguesias de Vide e Cabeça (Seia), bem como em Figueiró da Serra e Freixo da Serra (Gouveia); e Folha Volante (2023-2024), que nasceu de um convite do Teatro Nacional D. Maria II, no âmbito de uma programação descentralizada durante o período de restauro do edifício, e que alargou a intervenção artística a outras áreas da Serra da Estrela, nomeadamente a todo o município de Gouveia.

O material recolhido ao longo destas iniciativas foi agora revisitado e reorganizado em dez capítulos temáticos, estabelecendo novas relações entre os projetos anteriores e as contribuições inéditas de artistas, investigadores e outros colaboradores. A obra cruza linguagens e áreas tão diversas como poesia, ciência, investigação académica, música e artes visuais, propondo uma reflexão renovada sobre os problemas e questões levantados no contacto direto com o território.

Para além do formato físico, onde texto e imagem dialogam de forma integrada, Comunidade : floresta estende-se a outros suportes, incluindo vídeos e peças sonoras, acessíveis através de códigos QR, ampliando a experiência de leitura e escuta.

Publicada num contexto marcado por sucessivos incêndios – mais de 9.300 hectares ardidos em 2025, o que corresponde a 10,4% da área protegida do Parque Natural da Serra da Estrela, apenas três anos após o grande incêndio de 2022 –, a obra assume-se como um contributo relevante para uma reflexão mais informada sobre a proteção ambiental, a gestão do território e a necessidade de integrar diferentes saberes na construção de respostas futuras.

Segundo os promotores, o livro procura fomentar “uma noção de conhecimento mais ampla, heterogénea, relacional e democrática”, onde diferentes formas de saber: científicas, artísticas e empíricas “se encontram e dialogam, partindo do princípio de que nenhum conhecimento é completo por si só”.

Sobre o coletivo à escuta

O coletivo à escuta nasceu em 2021, fundado pelos artistas e músicos Joana Sá e Luís J Martins, a que se juntaram posteriormente Corinna Lawrenz, Lucas Tavares e Ana Viana. A iniciativa dedica-se à criação artística e à reflexão interdisciplinar sobre os territórios da Serra da Estrela, trabalhando em estreita ligação com as comunidades locais.

Os projetos do coletivo partem de uma noção de “escuta” enquanto relação ativa e ressonante com o outro, promovendo o encontro entre artistas, habitantes, investigadores, associações locais, movimentos cívicos e diferentes áreas do conhecimento, com o objetivo de pensar coletivamente o futuro do território.

O livro Comunidade : floresta — Vozes comunicantes para o futuro de um território encontra-se disponível para venda em vários locais, incluindo a loja do Museu da Paisagem.

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