Incêndios de 2025 atingem duramente as Beiras e Serra da Estrela
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Área ardida em 2025 é a quarta mais elevada desde 2001, com a região das Beiras e Serra da Estrela a liderar os números. Fogo do Piódão, que atingiu Seia e as áreas protegidas do Açor e da Estrela, foi o mais devastador.

A área ardida em Portugal até 30 de novembro ascendeu a cerca de 270 mil hectares, distribuídos por 8.284 incêndios rurais, fazendo deste ano o quarto pior desde 2001 em termos de área consumida pelo fogo e o segundo mais grave da última década, apenas superado por 2017. Os dados são do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) e da AGIF – Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais.

De acordo com a AGIF, as regiões Norte e Centro foram as mais afetadas, sendo que o 8º Relatório Provisório de Incêndios Rurais do ICNF aponta para um cenário paradoxal: entre 1 de janeiro e 15 de outubro registou-se o “quarto valor mais reduzido” em número de incêndios desde 2015, mas simultaneamente o “segundo valor mais elevado de área ardida” no mesmo período.

A análise do SGIFR revela que, em 2025, ocorreram 44 incêndios com mais de 500 hectares, representando apenas 0,5% do total de ocorrências, mas responsáveis por 91% da área ardida. Destes grandes incêndios, 21 ocorreram no Norte e 17 no Centro, confirmando a elevada severidade dos fogos nestas regiões.

O incêndio mais devastador do ano teve início a 13 de agosto no Piódão (Arganil) e prolongou-se durante 12 dias, alastrando aos concelhos de Pampilhosa da Serra, Oliveira do Hospital, Seia, Covilhã, Fundão e Castelo Branco. Este fogo consumiu 65.417 hectares, dos quais 38.544 hectares de povoamentos florestais, 22.992 hectares de matos e 3.881 hectares de áreas agrícolas, sendo considerado o maior incêndio de 2025.

Seguem-se, em dimensão, os incêndios de Freches (Trancoso), iniciado a 9 de agosto, com 46.906 hectares, e de Ferreira de Aves (Sátão), com 13.761 hectares, que acabaram por formar um complexo de incêndios que afetou 11 municípios dos distritos da Guarda e de Viseu. Entre os maiores fogos do ano destacam-se ainda Sortelha (Sabugal), Freixo de Espada à Cinta, Aldeia de Santo António (Sabugal), Moreira de Rei (Trancoso) e Pêra do Moço (Guarda).

O distrito da Guarda surge como o mais afetado em termos de área ardida, com 83.790 hectares, correspondendo a cerca de 31% do total nacional, seguido de Viseu, com 42.183 hectares, e de Castelo Branco, com 39.313 hectares.

Ao nível intermunicipal, a Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela lidera de forma destacada, com 106.794 hectares ardidos, cerca de 40% da área total nacional, seguida da Região do Douro, com 55.460 hectares, e da Região de Coimbra, com 26.149 hectares.

Nos 20 concelhos mais afetados concentra-se 69% da área total ardida, sobressaindo Covilhã (21.328 ha), Sabugal (19.860 ha), Trancoso (16.562 ha), Sernancelhe (16.417 ha) e Mêda (11.685 ha). Entre os concelhos mais atingidos figuram ainda Arganil (11.473 ha), Seia (10.499 ha), Penedono (9.481 ha), Fundão (9.167 ha) e Aguiar da Beira (6.228 ha). Na lista dos grandes incêndios do verão encontram-se ainda outros concelhos como Oliveira do Hospital (5.222 ha), Pinhel (5.073 ha), Figueira de Castelo Rodrigo (4.904 ha) e Guarda (4.344 ha).

Segundo a AGIF, a área ardida corresponde maioritariamente a matos, pastagens e vegetação esparsa (52%), seguindo-se as áreas florestais (38%) e as áreas agrícolas (10%). No que respeita à floresta, 56% da área ardida corresponde a pinheiro-bravo e outras resinosas, 23% em folhosas como sobreiros e azinheiras e 19% em eucaliptais.

A maioria dos incêndios ocorreu em Áreas Prioritárias de Prevenção e Segurança, com 84% da área ardida localizada em zonas de perigosidade alta ou muito alta, abrangendo também Zonas de Intervenção Florestal e cerca de 34 mil hectares da Rede Nacional de Áreas Protegidas.

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