Presidente da Freguesia de Vila Cova critica estratégia de combate aos incêndios
João Ferreira, presidente da Junta de Freguesia de Vila Cova à Coelheira, criticou hoje, na Assembleia Municipal de Seia, os métodos de comando aos incêndios rurais que destruíram mais de dois mil hectares e que provocaram graves danos económicos e ambientais.
O autarca, que termina o mandato com uma “mágoa tremenda” de ver a Freguesia pintada de preto, onde “um dos poucos pulmões do nosso concelho ficou reduzido a cinzas”, apelou a que se diligencie “uma avaliação profunda dos métodos de comando ao combate a incêndios”.
Lamenta que um presidente de Junta tenha de justificar aos seus conterrâneos o porquê do bombeiro “não poder combater chamas por não ter autorização do comando”. Questiona se “isto é realmente verdade” e “quem está a tentar tramar quem”.
Perante isto, João Ferreira gostaria ainda de ver esclarecido como é feito o ataque quando é dado o primeiro alerta. “Como é possível um incêndio que inicia numa pequena ignição toma estas dimensões? Não se compreende”, referiu.
Não tendo memória de na sua freguesia um incêndio tomar as proporções como aquele que na manhã de 6 de setembro deflagrou em Sandomil, alastrando às freguesias vizinhas e destruindo em poucas horas mais de 2.000 hectares de terreno, João Ferreira não concorda com “esta política da terra queimada”, adiantando que “esperar o incêndio nas povoações só o torna devastador”.
“Depois vêm os comandos distritais para a televisão dizer que não houve habitações afetadas. Realmente é uma vitória, mas o património económico e ambiental como fica? Como é a vida [depois] na terra queimada?”
Na opinião do presidente da Junta de Freguesia de Vila Cova à Coelheira, enquanto os comandos “não forem obrigados a justificar as opções de combate e responsabilizados, podendo ter o lugar em risco, isto não melhora”.
Recorde-se que o incêndio teve início em Sandomil e progrediu às freguesias vizinhas de Torroselo e Folhadosa, Carragozela e Várzea de Meruge, Vila Cova à Coelheira, São Romão, Sazes da Beira e Valezim.
As chamas chegaram a ser combatidas por 614 operacionais, auxiliados por 183 viaturas, oito máquinas de rastos e 17 meios aéreos.
