Centro de Portugal lança percurso gastronómico por oito territórios até à Gala MICHELIN 2027
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“A Caminho das Estrelas” vai percorrer as oito sub-regiões do Centro de Portugal durante seis meses, com experiências gastronómicas e culturais que pretendem valorizar os produtos, produtores, chefs, tradições e identidade de cada território. A Região Beiras e Serra da Estrela integra o percurso.

A Turismo Centro de Portugal (TCP) e a Agência Regional de Promoção Turística do Centro de Portugal (ARPTC) apresentaram, na Covilhã, o projeto “A Caminho das Estrelas”, uma iniciativa de valorização gastronómica, cultural e turística que vai percorrer as oito sub-regiões do Centro até março de 2027, tendo como horizonte a realização, em Coimbra, da Gala do Guia MICHELIN Portugal.

Sob o mote “A Gala é o destino. A autenticidade é o caminho”, o projeto pretende aproveitar a realização da Gala MICHELIN no Centro de Portugal para promover, durante seis meses, a diversidade gastronómica, cultural e turística da região. A iniciativa terá como protagonistas as pessoas, os produtos, os saberes e as histórias que distinguem cada uma das oito sub-regiões, procurando levar a promoção para além de Coimbra e do próprio momento da Gala.

“A realização da Gala do Guia MICHELIN em Coimbra é uma extraordinária oportunidade de projeção do Centro de Portugal, mas entendemos desde a primeira hora que não podíamos limitar esta oportunidade apenas a uma noite, a uma cidade e a um só evento. Tínhamos de a levar a todo o território”, afirmou Rui Ventura, presidente da Turismo Centro de Portugal. O responsável defendeu que os meses que antecedem a Gala devem ser transformados “num percurso de descoberta do Centro de Portugal, pela gastronomia, pelos vinhos e pelos nossos produtos, mas, sobretudo, pelas pessoas que estão por trás deles”.

Beiras e Serra da Estrela integra o percurso

O projeto vai passar pelas oito sub-regiões do Centro de Portugal: Região de Aveiro, Região de Coimbra, Região de Leiria, Viseu Dão Lafões, Beiras e Serra da Estrela, Beira Baixa, Médio Tejo e Oeste.

A primeira experiência está prevista para outubro, em Viseu Dão Lafões, seguindo-se as restantes sub-regiões até à Região de Coimbra, onde terminará o percurso, já próximo da realização da Gala do Guia MICHELIN. Os locais concretos dos eventos estão a ser definidos em articulação com as Comunidades Intermunicipais e os restantes parceiros territoriais.

A ligação à região da Serra da Estrela esteve presente na própria apresentação do projeto, realizada na Covilhã. Isabel Barrau, chefe de gabinete do presidente da Câmara Municipal da Covilhã, considerou que a escolha da cidade como ponto de partida é “um sinal de termos aqui a primeira estrela: a Serra da Estrela”. A responsável destacou ainda a capacidade do projeto para dar a conhecer “os produtos regionais e identitários que marcam os nossos territórios”.

Oito experiências gastronómicas e culturais

O núcleo de “A Caminho das Estrelas” será constituído por oito Pop Ups gastronómicos e culturais, um em cada sub-região. Cada experiência será construída a partir da identidade do território onde decorrer, não se pretendendo replicar o mesmo formato nos oito locais. Gastronomia, produtos endógenos, produtores, património, paisagem, artesanato, cultura e criação artística serão articulados em experiências diferenciadas.

Os Pop Ups terão uma matriz assente em seis dimensões: Descobrir, Fazer, Provar, Criar, Cozinhar e Partilhar. Cada experiência terá como anfitrião o Chefe Embaixador da respetiva sub-região, que convidará um Chefe Embaixador de outro território do Centro de Portugal.

Os oito chefes embaixadores são Diogo Rocha, por Viseu Dão Lafões; Luís Lavrador, pela Região de Coimbra; Hélio Loureiro, pela Região de Aveiro; Ricardo Ramos, pelas Beiras e Serra da Estrela; Sérgio Fernandes, pelo Médio Tejo; Maria Caldeira de Sousa, pela Beira Baixa; Diogo Caetano, pela Região de Leiria; e Patrícia Borges, pelo Oeste. A organização pretende que a circulação dos chefs permita também cruzar produtos, sabores e narrativas das diferentes sub-regiões.

Gastronomia, arte e autenticidade

“A Caminho das Estrelas” assenta em três pilares: Gastronomia, Arte e Autenticidade. A gastronomia será o fio condutor das experiências, mas estará associada a outras expressões culturais e artísticas, incluindo fotografia, vídeo, cerâmica, cestaria, madeira, pedra, têxteis, artes tradicionais e criação contemporânea. A autenticidade será um critério transversal, com produtores, artesãos, restaurantes, cozinheiros, comunidades, produtos, património e paisagem a fazerem parte das experiências.

Para Rui Ventura, esta identidade constitui um dos principais fatores de diferenciação do Centro de Portugal. “Num turismo cada vez mais global e num mundo onde encontramos experiências muito semelhantes em destinos diferentes, aquilo que verdadeiramente nos diferencia é aquilo que não pode ser copiado: a nossa identidade, as nossas histórias, os nossos produtos, as nossas tradições e as nossas gentes”, afirmou.

O representante do Guia MICHELIN em Portugal, Nuno Ferreira, destacou também o potencial da iniciativa para atrair visitantes ao território, defendendo a criação de experiências capazes de permanecer na memória. A Gala deverá reunir, segundo o responsável, entre 550 e 600 convidados e envolver, direta e indiretamente, mais de mil pessoas, entre organização, fornecedores e restantes intervenientes.

Projeto parte do trabalho dos Sabores ao Centro

“A Caminho das Estrelas” aproveita o trabalho já desenvolvido através do projeto Sabores ao Centro, da Turismo Centro de Portugal, procurando ampliar a rede existente entre chefs, restaurantes, produtores e territórios.

O chef Diogo Rocha, do Mesa de Lemos, assume a Curadoria Gastronómica Global do projeto, com a responsabilidade de assegurar a coerência entre as oito experiências e o diálogo entre tradição e contemporaneidade.

“O primeiro grande desafio é apresentar uma região tão grande e diversa como o Centro de Portugal. Fazemos 20 ou 30 quilómetros e muda a paisagem, muda a cultura, mudam os enchidos, mudam os queijos. O compromisso é conseguir que todas as pessoas e todos os territórios se sintam representados”, afirmou. O chef defendeu ainda que cada experiência deve funcionar como um convite para conhecer posteriormente os territórios e descobrir mais do que aquilo que é apresentado nos Pop Ups.

Promoção internacional começa em Madrid

O projeto resulta de uma parceria entre a Turismo Centro de Portugal e a Agência Regional de Promoção Turística do Centro de Portugal. A TCP assume a coordenação institucional e territorial e a articulação com as Comunidades Intermunicipais e restantes parceiros, enquanto a ARPTC terá um papel particularmente relevante na comunicação, imprensa, criadores de conteúdos, operadores turísticos e internacionalização.

A dimensão internacional de “A Caminho das Estrelas” começou já com uma ação de promoção em Madrid, dirigida a imprensa espanhola, jornalistas gastronómicos, operadores turísticos, criadores de conteúdos e entidades ligadas à promoção turística.

Outro dos momentos previstos é a Gala Sabores ao Centro, marcada para 9 de novembro, em Castelo Branco, que reunirá o ecossistema gastronómico regional.

O presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade, considerou que a realização da Gala MICHELIN deve ser encarada como uma oportunidade que ultrapassa o próprio evento. “Não podemos olhar para a Gala MICHELIN como um evento de um dia. Temos de capitalizar o mais possível esta oportunidade através de iniciativas e ações concretas no território”, afirmou.

Carlos Abade destacou ainda a importância crescente da gastronomia na estratégia turística nacional, considerando que deixou de ser apenas um ativo complementar e passou a assumir um papel central na valorização da autenticidade e na distribuição da atividade turística pelo território e ao longo do ano.

O projeto pretende, assim, que o impacto da Gala se prolongue para além de março de 2027, através do reforço das ligações entre chefs, produtores, restaurantes, empresas e territórios e da criação de novas experiências e conteúdos de promoção do Centro de Portugal.

“O nosso objetivo não é apenas colocar o Centro de Portugal a caminho das estrelas, é também utilizar essas estrelas para iluminar tudo aquilo que temos no Centro de Portugal: os nossos produtos, territórios, tradições, pessoas e a nossa autenticidade”, sintetizou Rui Ventura.

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