Diretor Executivo do SNS defende igualdade no acesso à saúde entre Seia e os grandes centros urbanos
Álvaro Santos Almeida destacou o papel dos cuidados de saúde primários e anunciou mecanismos para reconhecer o esforço adicional exigido pela prestação de cuidados em territórios do Interior. Diretor do SNS destaca importância das extensões de saúde num concelho disperso como Seia.
O Diretor Executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Álvaro Santos Almeida, defendeu esta terça-feira, em Seia, que a igualdade no acesso à saúde deve ser assegurada independentemente do local onde vivem os cidadãos. A intervenção ocorreu durante a inauguração da requalificação do Centro de Saúde de Seia, cerimónia que contou também com a presença da presidente da ULS da Guarda, Rita Teimão Figueiredo, e do presidente da Câmara Municipal de Seia, Luciano Ribeiro.
Para Álvaro Santos Almeida, os cuidados de saúde primários constituem a base do Serviço Nacional de Saúde e assumem particular importância em territórios como o concelho de Seia, marcado por uma elevada dispersão geográfica. “Os cuidados de saúde primários são a essência, a base e o pilar fundamental deste nosso SNS”, afirmou.
Proximidade é essencial num território disperso
O responsável destacou a importância das unidades de saúde de proximidade e das extensões de saúde para garantir que os cuidados chegam às populações que vivem fora dos principais centros urbanos.
A realidade territorial de Seia, com várias freguesias e localidades dispersas, exige, segundo Álvaro Santos Almeida, uma organização dos serviços capaz de responder às diferentes necessidades das populações.
“Manter a atividade em várias extensões é fundamental. Os cuidados de saúde primários têm uma grande vantagem sobre o resto do sistema de saúde: estão inseridos na comunidade. Mas, para estarem inseridos na comunidade, têm que estar inseridos mesmo na comunidade. Não é em Seia que se conhece toda a realidade do território. E, ao manter as extensões, mantém-se essa ligação à comunidade”, afirmou Álvaro Santos Almeida, acrescentando que os cuidados de saúde primários “são uma relação pessoal com as pessoas e o ambiente em que vivem”.
O Diretor Executivo do SNS defendeu, por isso, que a prestação de cuidados no Interior deve ser analisada tendo em conta as características específicas de cada território.
Reconhecer o esforço adicional do Interior
Na sua intervenção, Álvaro Santos Almeida admitiu a necessidade de “criar mecanismos” que permitam “reconhecer o esforço adicional” exigido às estruturas de saúde que prestam cuidados em territórios do Interior, um trabalho que já está a ser desenvolvido pela Direção Executiva, deixando o compromisso de tentar resolver essa falta de reconhecimento o mais depressa possível.
A questão está relacionada com a necessidade de garantir profissionais e manter respostas de proximidade em territórios onde a população se encontra mais dispersa.
“Nós estamos a pensar continuamente na forma de responder a essas necessidades, de fomentar a integração de cuidados de saúde, de criar mecanismos que permitam facilitar a vida das pessoas, nomeadamente as do Interior, porque os cuidados de saúde mais diferenciados estão nas grandes cidades e, portanto, quem está no Interior tem que fazer muitas centenas de quilómetros. Assegurar que esse esforço não é demasiado penalizador, é uma preocupação constante da nossa parte”, afirmou.
O responsável afirmou que o objetivo deve passar por garantir condições que permitam assegurar a equidade no acesso aos cuidados de saúde.
“Para ser equitativo é preciso que as pessoas do Porto e as pessoas de Seia tenham o mesmo acesso, com a mesma facilidade aos cuidados de saúde que necessitam”, afirmou.
Centro de Saúde como exemplo de investimento na proximidade
Álvaro Santos Almeida enquadrou a requalificação do Centro de Saúde de Seia precisamente nessa lógica de reforço dos cuidados de proximidade.
A intervenção representou um investimento de mais de 2,7 milhões de euros, integralmente financiado pelo PRR, e permitiu modernizar as instalações onde funcionam atualmente a UCC Seia, a USF A’Serrana e a USF Nova Estrela.
Para o Diretor Executivo do SNS, a modernização das instalações deve acompanhar uma aposta na organização dos serviços e na capacidade de resposta dos profissionais, de forma a garantir que o investimento realizado tenha reflexo direto na qualidade dos cuidados prestados às populações.
A intervenção terminou com uma valorização dos cuidados de saúde primários enquanto primeira porta de entrada dos cidadãos no Serviço Nacional de Saúde e com a defesa de uma resposta de proximidade ajustada às características dos territórios do Interior.
