IC6 fica mais longe: estudo ambiental só deverá estar concluído em 2028
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Ligação entre Tábua, Oliveira do Hospital e Folhadosa continua sem data para avançar. Autarcas de Seia e Oliveira do Hospital contestam novo calendário e alertam para os prejuízos causados pela demora.

O prolongamento do IC6 até Folhadosa, no concelho de Seia, volta a ficar adiado. Apesar de o Governo ter apontado para este ano o relançamento do projeto, a Infraestruturas de Portugal (IP) informou a TSF de que a conclusão do processo de Avaliação de Impacte Ambiental do troço Tábua/Oliveira do Hospital/Folhadosa só “deverá ocorrer no primeiro trimestre de 2028”.

Só depois dessa fase, acrescenta a IP, “será possível determinar o valor de investimento previsto” e avançar para o lançamento da empreitada.

O troço em causa tem cerca de 19 quilómetros e deverá ligar o atual final do IC6, no Poço do Gato, em Tábua, ao nó de Folhadosa, no concelho de Seia, estabelecendo ligação à EN17, a conhecida Estrada da Beira. A nova via atravessará os concelhos de Tábua, Oliveira do Hospital e Seia.

A informação da IP representa um novo atraso para uma ligação rodoviária prometida há décadas e que deveria, na sua conceção mais ambiciosa, assegurar a ligação entre Coimbra e a Covilhã.

Terreno difícil obriga a “obras de elevada complexidade”

Segundo a Infraestruturas de Portugal, o projeto desenvolve-se “num território de elevada sensibilidade ambiental e com uma orografia particularmente exigente”.

A construção do novo troço deverá envolver “pontes, viadutos, obras de contenção e túneis, associados a soluções de engenharia de elevada complexidade”.

A conclusão da Avaliação de Impacte Ambiental está agora prevista para os primeiros três meses de 2028. Até lá, a ligação à zona de Seia continuará a depender essencialmente da atual EN17, uma estrada que atravessa a região entre curvas e contracurvas e que há muito é apontada pelos municípios como inadequada para as necessidades atuais.

“Não pedimos autoestradas, só pedimos estradas melhores”

O presidente da Câmara Municipal de Seia, Luciano Ribeiro, garante ter recebido do atual Governo a indicação de que o IC6 será retomado, mas considera essencial que o compromisso passe das palavras à concretização.

O autarca tem defendido repetidamente a melhoria das acessibilidades à região e, recentemente, na cerimónia de lançamento do concurso para a construção da Barragem de Girabolhos, voltou a colocar a questão ao Governo.

Luciano Ribeiro recordou que os IC6, IC7, IC37 e IC12 constituem “aspirações legítimas” da região da Serra da Estrela que continuam por concretizar.

“Não pedimos autoestradas, só pedimos estradas melhores”, afirmou.

Para o presidente da Câmara de Seia, estas ligações são fundamentais não apenas para a mobilidade das populações, mas também para o desenvolvimento económico e para a valorização dos investimentos realizados no território.

O autarca chegou a defender que estes itinerários possam ser considerados no âmbito das Parcerias Público-Privadas (PPP) que o Governo pretende lançar para novas estradas.

Oliveira do Hospital exige explicações

Também o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, reagiu com surpresa à informação divulgada pela TSF.

À margem da cerimónia de lançamento da primeira pedra da futura unidade da empresa Pedro e Miguel Metal, Lda., o autarca afirma que o novo calendário da IP contraria as informações que lhe tinham sido transmitidas pelo Governo em junho.

“Deve haver algum erro”, afirmou José Francisco Rolo, recordando que lhe tinha sido indicado que o projeto de execução do IC6, considerado a base para o lançamento do concurso, estaria concluído “no limite até ao final do ano”, acompanhado da respetiva declaração de impacte ambiental.

Perante o novo prazo apontado pela IP, o autarca admite que possa ter surgido informação entretanto não comunicada às autarquias ou que exista falta de articulação entre a Infraestruturas de Portugal e a Agência Portuguesa do Ambiente.

“Ou há dados novos que não foram comunicados e não é positivo, ou seja, disseram-nos uma coisa em junho e agora é dito outra coisa, ou há alguém que não se entende entre as Infraestruturas de Portugal e a Agência Portuguesa do Ambiente”, afirmou.

José Francisco Rolo considera que o prolongamento do processo tem consequências diretas para a região.

“Quem está a ser penalizado com isto, com este arrastar do processo, objetivamente, quem está a ser prejudicado é o país, os empresários, as instituições e os cidadãos”, afirmou.

“Há 30 anos que esta região pede a conclusão do IC6”

José Francisco Rolo recordou que a reivindicação pela conclusão do itinerário complementar não é recente.

“Há 30 anos que esta região pede a conclusão do itinerário complementar número 6”, afirmou.

O autarca fez ainda questão de distinguir a reivindicação regional de grandes investimentos rodoviários.

O que está em causa é a construção de uma ligação rodoviária adequada às necessidades atuais, capaz de substituir a atual EN17.

“Estamos a pedir a conclusão do IC6 para substituir a velhíssima Estrada Nacional 17”, afirmou.

Para o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, a demora na concretização da obra representa uma “dívida do Estado” para com este território.

De Coimbra à Covilhã: uma promessa que continua por cumprir

O IC6 foi pensado para assegurar uma ligação transversal entre o litoral e o interior, aproximando Coimbra da região da Serra da Estrela e da Covilhã. Contudo, décadas depois das primeiras promessas, a estrada continua interrompida.

O atual troço termina numa zona de Tábua e o novo segmento projetado deverá chegar, numa primeira fase, apenas a Folhadosa, no concelho de Seia. Ou seja, mesmo que o projeto entre finalmente em obra depois de concluído o processo ambiental, a ligação à Covilhã continuará por concretizar.

Para os municípios da região, a questão deixou há muito de ser apenas uma reivindicação rodoviária: é uma questão de desenvolvimento, competitividade, segurança e coesão territorial.

Enquanto o calendário avança lentamente, quem circula entre a região de Coimbra, Oliveira do Hospital e Seia continua a depender da velha Estrada da Beira.

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